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Síndrome do Ovário Policístico: o que é e como amenizar seus sintomas

Publicado em 21 de setembro de 2021.

A síndrome do ovário policístico (SOP) é uma condição que afeta diretamente a qualidade de vida das mulheres, desde a adolescência até o período pós-menopausa. Esta condição acomete de 15 a 18% das mulheres em idade reprodutiva, e é um fator de risco importante para o desenvolvimento de câncer de endométrio e de ovário. Entretanto, algumas mudanças no estilo de vida podem minimizar as manifestações da SOP, prevenindo contra a progressão da doença. Leia abaixo para saber mais sobre a SOP e sobre algumas medidas simples que podem auxiliar no manejo desta condição clínica.

O que é a SOP?

Atualmente, a SOP é um dos maiores desafios na Medicina devido à sua complexidade e ao fato de que muitos aspectos da doença ainda permanecem desconhecidos – já que até o momento não se sabe exatamente quais são os fatores de risco que contribuem para o seu desenvolvimento.  Contudo, algumas manifestações são frequentemente associadas à SOP, tais como alterações nos níveis de hormônios sexuais ou de insulina, obesidade, disbiose intestinal e histórico familiar. 1

A maturação do folículo ovariano e a ovulação são processos dependentes do funcionamento adequado do eixo hipotálamo-hipófise-ovários. A liberação do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) pelo hipotálamo estimula a glândula hipófise a liberar dois hormônios: o hormônio folículo-estimulante (FSH, que é responsável por promover a síntese de estrogênio a partir de hormônios andrógenos, como a testosterona) e o hormônio luteinizante (LH, que induz a síntese de progesterona). Nos pacientes com SOP, entretanto, ocorre um desbalanço neste eixo, sendo observado um aumento nos níveis de LH em relação aos de FSH, levando à redução da síntese de estrogênio e ao acúmulo de testosterona. 2

Neste contexto, estudos têm demonstrado que alguns distúrbios metabólicos favorecem o acúmulo de testosterona no organismo, contribuindo para o desenvolvimento da SOP, bem como exacerbando algumas de suas manifestações. Dentre estes distúrbios, destacam-se a obesidade e o aumento da secreção de insulina. O tecido adiposo secreta, entre outras substâncias, a leptina – um hormônio que interfere na atividade do eixo hipotálamo-hipófise-ovários, favorecendo a síntese de testosterona. De maneira semelhante, o aumento da concentração de insulina na circulação sanguínea – comum em quadros de resistência à insulina, como na diabetes mellitus 2 (DM2) – também favorece o aumento dos níveis endógenos de testosterona. Desta forma, visto que a obesidade promove um aumento da secreção de leptina e é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da DM2 (além de ser frequentemente associada à disbiose intestinal e a um quadro de inflamação crônica), o gerenciamento do peso corporal e a redução da adiposidade são essenciais para a regulação do eixo hipotálamo-hipófise-ovários e para o controle dos sintomas clínicos da SOP. 3

Alterações hormonais comumente observadas na SOP. Adaptado de www.shutterstock.com

 

As alterações hormonais observadas na SOP levam às manifestações clínicas características desta síndrome, incluindo: 3

- Presença de cistos nos ovários;

Ciclos menstruais irregulares;

- Fluxo menstrual muito intenso ou escasso;

- Hirsutismo (excesso de pelos na face ou em partes do corpo onde normalmente não há pelos);

- Pelo oleosa e acneica;

- Dificuldade de engravidar;

- Alterações emocionais.

Neste sentido, estratégias que atenuem as alterações metabólicas associadas à SOP (tais como resistência à insulina, obesidade e inflamação crônica) podem auxiliar na melhora do quadro clínico e na remissão dos sintomas. 4

Principais manifestações clínicas da SOP. Adaptado de: www.shutterstock.com

Quais hábitos de vida podem minimizar a manifestação dos sintomas da SOP?

Apesar da SOP não ter cura, diversos estudos clínicos têm demonstrado que algumas abordagens são efetivas em minimizar o impacto desta doença sobre a qualidade de vida das mulheres. Neste sentido, mudanças no estilo de vida figuram entre a primeira opção para iniciar o manejo da doença.

Em particular, a redução da ingestão ou a eliminação de carboidratos da dieta (especialmente açúcar e farinha refinados) tem sido apontada como uma estratégia eficiente no controle da SOP. Estudos clínicos conduzidos com mulheres diagnosticadas com SOP demonstraram que a manutenção de uma dieta cetogênica (rica em proteínas e pobre em carboidratos) por pelo menos 12 semanas promove uma melhora da composição corporal, do perfil lipídico e da glicemia, bem como auxilia no restabelecimento dos níveis de insulina no organismo e na regulação do ciclo menstrual destas mulheres. 5,6

Para saber mais sobre a relação entre o consumo de açúcar e o desenvolvimento de DM2, acesse outra publicação deste blog clicando aqui.

Além da dieta, a prática regular de exercícios físicos promove a melhora da sensibilidade à insulina, induz o aumento da captação da glicose pelos músculos e favorece a melhora do perfil lipídico. Desta forma, auxilia no manejo de fatores de risco que estão associados ao desenvolvimento da SOP, como diabetes e obesidade. Dentre os exercícios físicos mais estudados como estratégia para melhora do quadro clínico de pacientes com SOP destacam-se o treinamento aeróbico e treinamento intervalado de alta intensidade (do inglês high-intensity interval training- HIIT) – que são os mais eficientes na redução dos níveis endógenos de testosterona e na melhora de parâmetros metabólicos. Adicionalmente, já foi demonstrado que a prática diária de yoga, durante 12 semanas, também pode favorecer a redução dos níveis de LH e de testosterona no organismo.  7–9

Por fim, outro hábito que deve ser ajustado na rotina de pacientes com SOP é o sono. Atualmente, já está bem estabelecido que distúrbios do sono estão diretamente relacionados ao desenvolvimento de alterações metabólicas. Logo, a resolução dos distúrbios do sono é primordial no manejo da SOP. Além de mudanças de hábitos de vida, algumas terapias naturais têm se mostrado efetivas em melhorar a qualidade do padrão de sono, o que favorece a regulação de parâmetros metabólicos e hormonais, resultando na melhora do quadro clínico de pacientes com SOP. 4

Suplementos e compostos naturais como adjuvantes no tratamento da SOP

A ingestão de quantidades adequadas de vitaminas e minerais é essencial para a regulação de vias metabólicas e hormonais. Dentre as vitaminas que podem influenciar positivamente o quadro clínico de mulheres diagnosticadas com SOP destaca-se a vitamina D, que promove um aumento da sensibilidade à insulina, além de apresentar atividade anti-inflamatória. Ainda, a suplementação de vitamina D em associação a magnésio, zinco e cálcio também tem se mostrado benéfica no manejo do hirsutismo e redução dos níveis de testosterona. Adicionalmente, a associação da vitamina D com ômega-3 pode contribuir para a redução dos níveis de testosterona, de sintomas depressivos e da ansiedade, além de reduzir a inflamação crônica. 10,11

Além de vitaminas e minerais, a suplementação com alguns compostos de origem natural tem sido utilizada visando à melhora do quadro clínico de pacientes com SOP. Dentre estes compostos destaca-se o mio inositol (análogo da glicose, encontrado em cereais integrais e frutas) e a berberina (alcaloide encontrado nas raízes e caules de diversas plantas, incluindo a Berberis aristata). Estudos clínicos conduzidos com mulheres com SOP demonstram que o mio inositol é capaz de melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir os níveis de glicose na circulação sanguínea e normalizar os níveis de andrógenos circulantes. Com isso, melhora os processos de desenvolvimento dos folículos ovarianos e a maturação dos óvulos, resultando em benefícios à fertilidade feminina. De maneira similar ao mio inositol, a beberina atua sobre a regulação do metabolismo da glicose e dos hormônios andrógenos, além de promover uma melhora no perfil lipídico. Além destes benefícios, o mio inositol e berberina apresentam menor incidência de efeitos colaterais que as terapias medicamentosas convencionais, o que reforça o potencial destes compostos como adjuvantes no tratamento da SOP.12,13

O consumo de chás e infusões de ervas também pode contribuir para a melhora da qualidade de vida de pacientes com SOP. Compostos bioativos encontrados em algumas espécies vegetais (tais como Cinnamomum verum, Camellia sinensis, Matricaria chamomilla e Morus alba) apresentam propriedades hipolipemiante, hipoglicemiante e/ou anti-inflamatória, favorecendo a regulação do metabolismo. Além disso, a manjerona (Majorana hortensis), a menta (Mentha spicata L.), o alcaçuz (Glycyrrhiza glabra) e o chá verde (Camellia sinensis) também podem auxiliar na regulação dos níveis hormonais e de parâmetros inflamatórios. Adicionalmente, tem sido demonstrado que o tratamento com curcumina – um composto encontrado na Curcuma longamelhora o perfil lipídico e a glicemia em mulheres com SOP, além de induzir a expressão de genes antioxidantes.  4,14,15

Por fim, a disbiose da microbiota intestinal está diretamente relacionada ao risco e/ou agravamento de alterações metabólicas. Neste contexto, a manutenção de uma microbiota saudável em pacientes com SOP é essencial para a regulação de suas funções metabólicas. Estudos clínicos têm reforçado essa ideia, demonstrando que a administração de prebióticos, probióticos ou simbióticos são intervenções efetivas e seguras para o manejo das alterações metabólicas presentes na SOP. 16,17

Principais fatores de risco associados ao desenvolvimento da SOP e alterações no estilo de vida e/ou estratégias que podem atenuar os sintomas desta condição clínica. Adaptado de www.shutterstock.com, 2021

 

 

As informações fornecidas neste blog destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para a orientação de um profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. As informações aqui apresentadas não têm o objetivo de diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.

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