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Saiba mais sobre os tipos de colágeno, principais benefícios e quando suplementar

Publicado em 20 de julho de 2021.

Os benefícios da suplementação com colágeno à saúde humana vêm ganhando cada vez mais destaque nas últimas décadas, sendo associados principalmente com a melhora da aparência da pele e da saúde osteoarticular. Entretanto, você sabia que existem diferentes tipos de colágeno, e que conhecer as diferenças entre eles pode te ajudar na obtenção do efeito desejado?

O que é colágeno e qual sua função no organismo humano?

O colágeno compreende um grupo de 28 proteínas (denominadas de colágeno I a XXVIII), que possuem em comum uma estrutura química contendo três cadeias alfa polipeptídicas organizadas em formato de tripla hélice e compostas por resíduos de três aminoácidos: prolina, hidroxiprolina e glicina. 1,4

As proteínas designadas como colágeno estão entre as proteínas mais abundantes em vertebrados e representam cerca de 30% da massa total de proteínas do organismo humano, onde estão distribuídas de maneira distinta, bem como apresentam funções biológicas específicas. A junção de moléculas de colágeno organizadas em fibrilas forma a estrutura das fibras de colágeno, que são constituintes importantes da matriz extracelular e auxiliam na coesão e na manutenção da forma de diferentes tecidos, tal como a pele e a cartilagem. Além disso, os diferentes tipos de colágeno também podem fornecer hidratação, resistência, elasticidade e flexibilidade aos tecidos, bem como contribuir para a regulação das respostas anti-inflamatórias. 1-3

Quais são os principais tipos de colágeno encontrados no organismo humano e onde estão localizados?

Embora diferentes tecidos possam conter os mesmos tipos de colágeno, estas proteínas não são encontradas na mesma proporção em todas as regiões do organismo humano. A predominância de um tipo específico de colágeno pode influenciar tanto as características estruturais de cada órgão ou tecido (como firmeza, elasticidade, flexibilidade e resistência mecânica), como também modificar funções reguladas por estas proteínas – incluindo proliferação, sobrevivência e diferenciação celular. Desta forma, alterações na distribuição e/ou proporção dos diferentes tipos de colágeno no organismo podem contribuir para o desenvolvimento de determinadas doenças. 1,4-6

Neste contexto, os tipos de colágeno mais abundantes no organismo humano são:

  • Colágeno tipo I: é o tipo de colágeno mais abundante no organismo humano e o principal componente estrutural da matriz extracelular, sendo encontrado em maior quantidade na pele e nos tendões, assim como nos ossos e dentes. Por se apresentar sob a forma de fibras longas e espessas, é o tipo de colágeno mais resistente à pressão e tensão mecânica, conferindo resistência aos tecidos. Na pele, se organiza em feixes ou fibras localizadas na derme (camada intermediária, localizada entre a epiderme e a hipoderme), sendo responsável pela firmeza e tônus deste tecido. Desta forma, o declínio da síntese endógena de colágeno observado naturalmente durante o processo fisiológico de envelhecimento é um dos principais fatores que contribui para o aparecimento de linhas de expressão e rugas;
  • Colágeno tipo II: é um dos principais constituintes da matriz extracelular nas cartilagens elásticas e hialinas, onde está organizado sob a forma de fibrilas – com diâmetro menor do que as fibras de colágeno tipo I – que interagem com outros componentes da matriz extracelular (tal como ácido hialurônico, proteoglicanas e glicoproteinas) e se ligam a uma grande quantidade de moléculas de água. Desta forma, o colágeno do tipo II confere resistência articular e proteção contra danos mecânicos, além de favorecer a cicatrização e regeneração tecidual.

Distribuição do colágeno tipo I e II no organismo humano. Adaptado de www.shutterstock.com, 2021.
 

Qual a finalidade da suplementação com colágeno dos tipos I e II, e qual a forma mais adequada de suplementação?

Embora nas duas primeiras décadas de vida o corpo humano seja capaz de sintetizar os diferentes tipos de colágeno em quantidades adequadas, esta síntese tende a diminuir naturalmente cerca de 1% ao ano a partir dos 30 anos de idade. Assim, em comparação a adultos jovens, estima-se que a síntese endógena de colágeno pode diminuir em média 75% por volta dos 80 anos. Além disso, a magnitude e a velocidade deste declínio podem ser variáveis entre os indivíduos, visto que são influenciadas por diversos fatores e hábitos de vida que acarretam no acúmulo de radicais livres e mediadores pró-inflamatórios no organismo, incluindo alimentação inadequada, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, exposição excessiva à radiação solar, entre muitos outros.6

A queda gradual na síntese endógena de colágeno no decorrer do processo de envelhecimento acarreta em diversas alterações morfológicas e funcionais no organismo humano, tal como o aparecimento de linhas e expressão e rugas na pele. Adaptado de www.shutterstock.com, 2021
 

Ainda que o colágeno possa ser consumido através da ingestão de alguns alimentos de origem animal (e que certos alimentos vegetais também forneçam os aminoácidos utilizados como precursores para a sua síntese endógena), a reposição desta proteína através de suplementação contribui para a manutenção da homeostase do organismo ao longo do processo fisiológico de envelhecimento, bem como auxilia na prevenção e tratamento de diferentes condições clínicas. Mas você sabe qual a diferença entre as inúmeras opções disponíveis atualmente para suplementação de colágeno (incluindo colágeno hidrolisado, peptídeos de colágeno ou colágeno não desnaturado), ou qual tipo de colágeno dever ser consumido de acordo a finalidade pretendida?

  • Colágeno hidrolisado: o colágeno em sua forma nativa (ou seja, conformação tridimensional idêntica à encontrada no organismo humano) é pouco absorvido quando consumido pela via oral, visto que apresenta peso molecular elevado – 285 a 300 KDa. Desta forma, tem sido demonstrado que a hidrólise (ou “quebra”, através de ação enzimática em meio ácido ou alcalino) desta proteína em fragmentos menores facilita a sua absorção e promove efeitos biológicos mais satisfatórios. Assim, o colágeno hidrolisado consiste em um grupo de cadeias peptídicas de baixo peso molecular – entre 3 e 6 KDa – obtidas a partir de tecidos de origem animal  (como ossos, pele e escamas de bovinos, suínos, aves e peixes) após serem submetidos a um processo de hidrólise proteica. 6
     

    Além disso, a hidrólise enzimática do colágeno afeta não apenas o tamanho desta proteína e sua capacidade de ser absorvida pela via oral (biodisponibilidade), mas também suas propriedades biológicas. Após absorvidas pelo organismo humano, as cadeias peptídicas de colágeno de baixo peso molecular podem tanto ser incorporadas em fibras de colágeno e elastina, quanto atuarem estimulando a síntese de novas moléculas de colágeno, elastina e ácido hialurônico pelos fibroblastos (células envolvidas na síntese de matriz extracelular). 6

    Por estes efeitos, a suplementação com colágeno hidrolisado tem sido utilizada principalmente para a reposição do colágeno do tipo I na pele, visando minimizar os sinais do envelhecimento do tecido cutâneo. Enquanto a aplicação tópica de cosméticos contendo colágeno ou a suplementação pela via oral com colágeno do tipo I não hidrolisado apresentam efeito muito superficial e menos duradouro, a suplementação com colágeno tipo I hidrolisado atinge as camadas mais profundas da pele, promovendo um aumento da hidratação, elasticidade e firmeza deste tecido de maneira mais prolongada, reduzindo rugas e linhas de expressão. 6,7

O processo de hidrólise permite a obtenção de cadeias peptídicas de colágeno com baixo peso molecular, que são mais facilmente absorvidos quando administrados pela via oral. Adaptado de LEÓN-LÓPEZ et al., 2019. 6
 

  • Peptídeos de colágeno: neste caso, o colágeno é altamente hidrolisado, até a obtenção de partículas ainda menores chamadas de peptídeos – pequenos agregados de 2 a 100 aminoácidos – e que são facilmente absorvidos quando administrados pela via oral. Com isso, estudos apontam que 6 horas após serem administrados pela via oral, até 90% destes peptídeos de colágeno são absorvidos, acumulando-se principalmente na pele e articulações. Ainda, têm sido demonstrado que os peptídeos de colágeno (como prolil-hidroxiprolina e hidroxiprolil-glicina) exercem inúmeros benefícios na pele, estimulando a quimiotaxia, atividade e proliferação de fibroblastos, bem como o aumento da síntese de ácido hialurônico. Desta forma, a suplementação com peptídeos de colágeno atenua os sinais de envelhecimento do tecido cutâneo, melhorando a hidratação, elasticidade e firmeza da pele. 8,9
     
  • Colágeno não desnaturado (ou não hidrolisado): consiste na forma nativa desta proteína, ou seja, que ainda se apresenta sob a forma de três cadeias alfa polipeptídicas organizadas em tripla hélice. É a maneira mais adequada de suplementação do colágeno tipo II visto que – diferente do colágeno do tipo I – não precisa ser absorvido para exercer efeitos biológicos benéficos. Isto porque a suplementação com o colágeno do tipo II promove a melhora da saúde articular através de tolerância imunológica, induzida pela sua interação com componentes do sistema linfoide associado ao intestino (GALT, do inglês “gut-associated lymphoid tissue” – para saber mais acesse outra publicação deste blog). 10-12

    Evidências apontam que as moléculas de colágeno tipo II não desnaturadas contém epítopos (moléculas capazes de ativar as respostas imunes) que são reconhecidos por células localizadas abaixo do epitélio intestinal, resultando na ativação do sistema imunológico. A ativação constante destas células (a partir da suplementação diária com este tipo de colágeno), por sua vez, acarreta em dessensibilização do sistema imunológico. Ou seja, impede que as nossas próprias células de defesa ataquem as fibras de colágeno presentes nas cartilagens e promovam a instalação de um quadro inflamatório crônico – o que é observado em algumas doenças autoimunes, por exemplo. Assim, como consequência desta dessensibilização (ou tolerância imunológica) é observado um aumento da liberação de mediadores anti-inflamatórios e uma redução na síntese de interleucinas pró-inflamatórias nas articulações, o que contribui para a manutenção da integridade das fibras de colágeno tipo II nas cartilagens. 10-12

    Através deste mecanismo, o colágeno tipo II não desnaturado reduz a inflamação e o desgaste das cartilagens, promovendo a melhora da resistência e da mobilidade das articulações. Logo, estudos clínicos têm demonstrado os benefícios da suplementação pela via oral com colágeno tipo II não desnaturado na prevenção e tratamento de diferentes condições clínicas, sobretudo de doenças osteoarticulares que podem comprometer de maneira significativa a qualidade de vida dos indivíduos – tais como a osteoartrite e artrite reumatoide. 13-16


A suplementação com colágeno tipo II não desnaturado contribui para a melhora da saúde osteoarticular. 
Adaptado de www.shutterstock.com, 2021.

 



 

As informações fornecidas neste blog destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para a orientação de um profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. As informações aqui apresentadas não têm o objetivo de diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.

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